Tendências de Mercado Análise Fortis

Lula e a Economia: O Que Muda para Quem Busca Capital

Em novo mandato, governo sinaliza continuidade da política fiscal expansionista e reformas graduais. Para empresas que buscam capital internacional, o cenário exige atenção redobrada.

Por Fortis Business Capital · 25 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
Lula e a Economia: O Que Muda para Quem Busca Capital
Foto: Adam Śmigielski via Unsplash

O cenário econômico no novo mandato de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu terceiro mandato com um discurso que combina continuidade de políticas sociais e um esforço para sinalizar responsabilidade fiscal. Segundo reportagem da Forbes Brasil, o governo pretende manter programas de transferência de renda e ampliar investimentos públicos, ao mesmo tempo em que busca aprovar reformas estruturais no Congresso. Para o empresário brasileiro que busca capital internacional, essa combinação gera um ambiente de negócios que exige análise cuidadosa.

A política econômica do novo governo tem sido marcada por uma expansão fiscal moderada, com aumento de gastos em áreas como saúde, educação e infraestrutura. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem reiterado o compromisso com o arcabouço fiscal aprovado em 2023, mas o mercado financeiro observa com ceticismo a capacidade do governo de cumprir as metas estabelecidas.

“O grande desafio do novo mandato é conciliar a agenda social com a sustentabilidade fiscal. Sem essa harmonia, o custo do capital para as empresas brasileiras tende a subir, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.”

Essa percepção é compartilhada por investidores estrangeiros que acompanham o Brasil. A taxa de juros elevada, que persistiu por boa parte de 2023 e 2024, reflete justamente a desconfiança quanto ao controle inflacionário e à trajetória da dívida pública. Para as empresas que precisam captar recursos lá fora, o custo desse capital é diretamente influenciado por esse prêmio de risco.

O que o governo quer manter

Política de valorização do salário mínimo

A valorização do salário mínimo acima da inflação é uma das bandeiras históricas do PT e deve ser mantida. Isso pressiona os custos trabalhistas e, por consequência, as margens das empresas. Setores intensivos em mão de obra, como serviços e varejo, são os mais afetados. Para quem busca capital, é fundamental apresentar projeções financeiras que já contemplem esses reajustes.

Investimentos em infraestrutura

O governo pretende manter o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como carro-chefe dos investimentos públicos. A infraestrutura é um setor que atrai capital internacional de longo prazo, especialmente fundos de private equity e bancos de desenvolvimento. Empresas do setor podem se beneficiar de parcerias e financiamentos com garantias públicas, mas é preciso estar atento às exigências de governança e transparência.

Fortalecimento do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volta a ter protagonismo como financiador de projetos estratégicos. Para as empresas de middle market, isso pode significar acesso a linhas de crédito subsidiadas, mas também concorrência com grandes grupos que têm acesso privilegiado a esses recursos. A estratégia é diversificar as fontes de captação, combinando recursos públicos e privados.

O que o governo quer mudar

Reforma tributária

A reforma tributária, aprovada em 2023 e em fase de regulamentação, é uma das principais apostas do governo para melhorar o ambiente de negócios. A simplificação de impostos sobre consumo pode reduzir a complexidade e aumentar a competitividade das empresas brasileiras. No entanto, a transição será longa e os impactos setoriais ainda são incertos. Para quem busca capital, é importante demonstrar capacidade de adaptação e planejamento tributário eficiente.

Abertura comercial e acordos internacionais

O governo sinaliza uma postura mais aberta a acordos comerciais, como o acordo Mercosul-União Europeia, que está em negociação há décadas. Se concretizado, pode facilitar o acesso a mercados e a atração de investimentos estrangeiros. Empresas exportadoras ou que pretendem internacionalizar operações devem acompanhar de perto essas movimentações.

Regulação do mercado de capitais

Há uma agenda de modernização da legislação do mercado de capitais, com o objetivo de estimular a participação de investidores pessoa física e facilitar a emissão de títulos privados. Isso pode abrir novas oportunidades de captação para empresas de médio porte, que historicamente dependem de crédito bancário e de private equity.

Impacto para empresas que buscam capital internacional

O ambiente econômico desenhado pelo novo mandato de Lula apresenta uma combinação de oportunidades e riscos. De um lado, a continuidade de investimentos públicos e a modernização regulatória podem criar um cenário mais previsível para investidores estrangeiros. De outro, a incerteza fiscal e a pressão por gastos sociais podem elevar o prêmio de risco do Brasil, encarecendo o capital externo.

Para as empresas de middle market que buscam recursos no exterior, a recomendação é reforçar a governança corporativa, apresentar demonstrações financeiras auditadas e transparentes, e ter um plano de negócios sólido que mostre resiliência a cenários adversos. Além disso, é fundamental diversificar as fontes de captação, considerando não apenas bancos e fundos tradicionais, mas também instrumentos híbridos e parcerias estratégicas.

“O investidor estrangeiro não olha apenas o momento econômico, mas a trajetória das políticas públicas. Sinais claros de compromisso com a responsabilidade fiscal e com a segurança jurídica são determinantes para atrair capital de longo prazo.”

Empresas que já têm operações internacionais ou que pretendem expandir para mercados como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e União Europeia devem ficar atentas às mudanças na política cambial e às possíveis alterações na tributação de remessas e investimentos. A assessoria especializada em estruturação de capital internacional pode ajudar a navegar nesse cenário complexo.

Oportunidades setoriais

Alguns setores tendem a se beneficiar mais diretamente das políticas do novo governo. A transição energética, por exemplo, é uma prioridade declarada, com incentivos para energias renováveis e projetos de hidrogênio verde. Empresas desse segmento podem atrair fundos internacionais com foco em ESG.

Outro setor promissor é o de infraestrutura, especialmente logística e saneamento, que devem receber investimentos públicos e privados. A agricultura também segue como carro-chefe das exportações, com demanda crescente por financiamento de safras e expansão de capacidade.

Por outro lado, setores regulados, como energia elétrica e telecomunicações, podem enfrentar incertezas com possíveis mudanças regulatórias. É essencial acompanhar as sinalizações do governo e do Congresso.

Conclusão: cautela e planejamento

O novo mandato de Lula traz uma agenda econômica que mistura continuidade e mudanças. Para o empresário brasileiro que busca capital internacional, o momento é de cautela e planejamento estratégico. A chave está em entender como as políticas públicas afetam o setor específico da empresa e se preparar para apresentar um projeto sólido e confiável aos investidores estrangeiros.

A Fortis Business Capital, com sua experiência em conectar empresas brasileiras a fundos e bancos internacionais, pode ser uma parceira fundamental nesse processo. Afinal, em um cenário de incertezas, a assessoria especializada faz toda a diferença para acessar as melhores oportunidades de financiamento.

Leia também

Sua empresa busca capital internacional de longo prazo?
O diagnóstico inicial é gratuito — retorno sobre enquadramento em até 5 dias úteis.