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Nova regra do BC infla calotes e asfixia crédito para PMEs

Estudo aponta que mudança contábil do Banco Central aumenta a inadimplência percebida e encarece o crédito para pequenas e médias empresas. Entenda o impacto e as alternativas.

Por Fortis Business Capital · 25 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Nova regra do BC infla calotes e asfixia crédito para PMEs
Foto: Bernd 📷 Dittrich via Unsplash

Uma nova regra contábil do Banco Central está distorcendo a percepção de risco das pequenas e médias empresas brasileiras. Na prática, ela faz a inadimplência parecer maior do que realmente é — e, com isso, encarece e restringe o crédito. É o que mostra um estudo recente divulgado pelo InfoMoney.

Se você é empresário e sentiu o acesso ao crédito mais difícil nos últimos meses, não é impressão. A mudança mexe diretamente no bolso de quem depende de capital de giro, investimento em máquinas ou expansão de operação. E o pior: muitas vezes, o problema não está na sua empresa, mas na forma como o sistema financeiro passou a enxergá-la.

O que mudou com a nova regra do Banco Central

A regra altera a forma como os bancos classificam e provisionam operações de crédito. Em vez de avaliar caso a caso, com base no histórico real de cada tomador, a norma passou a exigir provisões mais conservadoras para determinadas carteiras. Isso inclui boa parte dos empréstimos concedidos a PMEs.

O efeito é imediato: o banco precisa reservar mais capital para cobrir um risco que, na prática, não aumentou. Para compensar, ele faz o que sempre faz — repassa o custo ao cliente. As taxas sobem, os prazos encurtam e as exigências de garantia ficam mais duras.

Segundo o estudo, a nova regra “infla” os calotes. Ou seja, empréstimos que estavam apenas atrasados passam a ser contabilizados como perda total, elevando artificialmente os índices de inadimplência. Com isso, o mercado inteiro fica mais avesso ao risco.

“O crédito não some porque o empresário ficou pior. Some porque o sistema passou a enxergar risco onde não necessariamente existe.”

Por que as PMEs são as mais afetadas

Grandes empresas têm acesso a mercados de capitais, emissão de debêntures, linhas internacionais e uma série de instrumentos que driblam a restrição bancária. As PMEs, não. Elas dependem quase exclusivamente do crédito bancário tradicional — e é exatamente aí que a nova regra aperta.

O resultado é um círculo vicioso: menos crédito disponível, juros mais altos, menos investimento, menos crescimento, mais demissões. E, no fim, mais inadimplência real — a que a regra tentava evitar.

Não se trata de demonizar o Banco Central. A intenção da norma é aumentar a transparência e a solidez do sistema. Mas o tiro saiu pela culatra para quem está na ponta: o pequeno e médio empresário que gera emprego e move a economia.

O que dizem os números

O estudo mostra que, após a implementação da regra, a taxa de inadimplência contábil das carteiras de PMEs subiu vários pontos percentuais — mesmo sem aumento real de calotes. É uma inadimplência “de papel”, que não reflete a realidade do caixa das empresas.

Esse descolamento entre risco real e risco percebido é o que trava o crédito. Bancos preferem não emprestar a emprestar errado. E quem paga a conta é o empresário que precisa de capital para crescer.

O que fazer diante desse cenário

Se o crédito nacional está mais caro e mais escasso, a saída não é esperar. É diversificar as fontes de financiamento. O mercado internacional, historicamente visto como distante, hoje está mais acessível do que parece — especialmente para empresas com faturamento consistente e projetos bem estruturados.

Fundos e bancos nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes Unidos e na União Europeia operam com lógicas diferentes. Eles não estão presos às mesmas regras contábeis do Banco Central brasileiro. Avaliam risco com base em fluxo de caixa, histórico de pagamento e qualidade da gestão — não apenas em provisões regulatórias.

Além disso, o custo do dinheiro lá fora, em muitos casos, é menor. Mesmo com variação cambial, operações bem estruturadas podem ser mais competitivas do que uma linha de crédito bancária doméstica com juros estratosféricos.

Capital internacional: uma alternativa real

Estruturadoras de capital internacional, como a Fortis Business Capital, conectam empresas brasileiras de middle market a fundos e bancos no exterior. São operações que variam de US$ 3 milhões a US$ 300 milhões, com prazos mais longos e condições mais flexíveis.

Não é para qualquer empresa. É preciso ter governança, demonstrativos auditados e um projeto claro. Mas, para quem se qualifica, é uma porta que se abre quando a janela do crédito nacional se fecha.

O Brasil já estruturou mais de US$ 900 milhões em operações desse tipo. Empresas que entenderam que o crédito não precisa ser uma via-crúcula bancária estão crescendo com capital estrangeiro.

O que esperar do futuro próximo

Enquanto a regra do Banco Central não for revista — e não há indicação de que será tão cedo —, o crédito para PMEs seguirá caro e escasso. O empresário que depender exclusivamente do banco da esquina vai penar.

A boa notícia é que o mundo mudou. O capital é global. E cada vez mais empresários brasileiros estão descobrindo que podem acessar recursos em dólar, euro ou dirham, com custos menores e prazos mais saudáveis.

O primeiro passo é entender que o problema não é sua empresa. É o sistema. E, como todo sistema, ele pode ser contornado.

Conclusão

A nova regra do Banco Central pode até ter boa intenção, mas o efeito prático é asfixiar o crédito para quem mais precisa. As PMEs sentem no caixa. O estudo comprova o que o empresário já sabia: ficou mais difícil e mais caro financiar o crescimento.

Diante desse cenário, olhar para o mercado internacional não é mais um luxo. É uma necessidade estratégica. Se o crédito nacional te fecha a porta, o capital internacional pode abrir uma janela — e, muitas vezes, uma janela muito maior.

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