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Pronampe no Desenrola 2.0: crédito caro preocupa empresas

Programa de renegociação pode aliviar dívidas, mas especialistas alertam para o risco de crédito caro e limitado para o middle market.

Por Fortis Business Capital · 28 de outubro de 2026 · 4 min de leitura
Pronampe no Desenrola 2.0: crédito caro preocupa empresas
Foto: Sang Kwak via Unsplash

O que muda com o Pronampe no Desenrola 2.0

O governo federal anunciou a inclusão do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) nas regras do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. A medida visa permitir que empresas endividadas possam renegociar seus débitos com condições supostamente mais favoráveis. No entanto, especialistas alertam que o crédito oferecido pode não ser tão vantajoso assim, especialmente para empresas do middle market que buscam fôlego para crescer.

O Pronampe foi criado em 2020 como resposta à crise econômica provocada pela pandemia. Ele oferece linhas de crédito com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e taxas de juros reguladas. Agora, ao ser incorporado ao Desenrola 2.0, o programa passa a permitir a renegociação de dívidas antigas com prazos maiores e possibilidade de carência. Mas será que isso é suficiente?

As limitações do Pronampe para o middle market

O Pronampe é voltado para micro e pequenas empresas, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Empresas do middle market, que faturam entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões, não se enquadram no programa. Além disso, mesmo para as pequenas empresas, o limite de crédito é de até 30% da receita bruta anual, o que pode ser insuficiente para necessidades de capital de giro mais robustas.

Outro ponto crítico é a taxa de juros. Apesar de ser subsidiada, a taxa do Pronampe é atrelada à Selic mais um spread, o que, em um cenário de juros altos, pode tornar o crédito caro. Atualmente, a Selic está em 10,5% ao ano, e o spread bancário pode adicionar mais 10 a 15 pontos percentuais, dependendo do risco da operação. Para muitas empresas, isso significa um custo efetivo total que ultrapassa 20% ao ano, inviabilizando investimentos produtivos.

“O Pronampe foi um alívio emergencial na pandemia, mas hoje não resolve o problema estrutural de acesso a capital para empresas que precisam investir em crescimento. O crédito caro e de curto prazo não sustenta a expansão do middle market.”

O risco do crédito caro para as empresas

O crédito caro é um dos principais entraves para a competitividade das empresas brasileiras. Segundo dados do Banco Central, o spread médio das operações de crédito para pessoas jurídicas no Brasil é um dos mais altos do mundo, superando 20 pontos percentuais em algumas modalidades. Isso encarece o financiamento da produção, reduz a margem de lucro e desestimula investimentos.

No caso do Pronampe, o risco é que as empresas se endividem ainda mais para rolar dívidas antigas, criando um ciclo de dependência de crédito emergencial. Sem acesso a linhas de longo prazo e com custo mais competitivo, o empresário fica preso ao sistema financeiro nacional, que nem sempre oferece as melhores condições.

Alternativas além do crédito local

Diante desse cenário, muitas empresas do middle market têm buscado alternativas no mercado internacional. A Fortis Business Capital, especializada em estruturação de capital estrangeiro, conecta empresas brasileiras a fundos e bancos nos EUA, Emirados Árabes Unidos e União Europeia. Com operações que variam de US$ 3 milhões a US$ 300 milhões, a empresa já estruturou mais de US$ 900 milhões em crédito para empresas brasileiras.

O capital internacional oferece prazos mais longos, taxas competitivas e possibilidade de estruturar operações sob medida para as necessidades de cada empresa. Além disso, a diversificação de fontes reduz a exposição ao risco país e às oscilações do mercado interno.

Para o fundador da Fortis, Evilásio Júnior, “o empresário brasileiro precisa entender que o crédito nacional tem limites. O acesso a capital internacional é o próximo passo natural para quem quer crescer de forma sustentável e competitiva”.

Conclusão: o Pronampe é um paliativo, não a solução

O Pronampe dentro do Desenrola 2.0 pode até trazer alívio imediato para algumas empresas, mas não resolve o problema estrutural do crédito caro e limitado no Brasil. Para o middle market, que precisa de capital para investir, inovar e expandir, a solução está além das fronteiras nacionais. O capital internacional surge como uma alternativa viável e cada vez mais acessível.

Se sua empresa busca financiamento de longo prazo, com taxas competitivas e estruturado para suas necessidades, considere explorar o mercado internacional. O horizonte é mais amplo do que parece.

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