Nos últimos meses, a América Latina deixou de ser coadjuvante no cenário global de investimentos. Com a instabilidade geopolítica em outras regiões e a busca por diversificação, fundos e bancos internacionais voltaram seus olhos para cá. O Brasil, maior economia da região, está no centro dessa atenção. Mas a pergunta que não quer calar é: o que faremos com isso?
O novo mapa do capital
Não é de hoje que o capital global busca alternativas. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, os conflitos no Leste Europeu e a desaceleração chinesa forçaram investidores a repensar suas alocações. A América Latina, com suas commodities, população jovem e mercados consumidores em expansão, virou uma opção natural.
Segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para a região cresceu 12% em 2023, alcançando US$ 180 bilhões. O Brasil respondeu por quase metade desse total. São números que revelam uma janela de oportunidade, mas também um alerta: não basta atrair, é preciso saber usar.
O que isso significa para o empresário brasileiro
Para quem comanda uma empresa de middle market – aquelas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 1 bilhão –, o movimento é ambíguo. Por um lado, há mais dinheiro disponível. Fundos de private equity, bancos de investimento e family offices estrangeiros estão mais abertos a conversar com companhias brasileiras. Por outro, o escrutínio aumentou. Não basta ter bons números; é preciso governança, compliance e uma história convincente.
"O capital internacional não vem para salvar empresas. Ele vem para multiplicar o que já funciona. Se o negócio não está pronto, a porta se fecha", resume um gestor de fundo americano que prefere não se identificar.
O capital internacional não vem para salvar empresas. Ele vem para multiplicar o que já funciona. Se o negócio não está pronto, a porta se fecha.
Preparo é a palavra-chave
E como se preparar? A primeira etapa é organizar a casa. Isso significa ter demonstrações financeiras auditadas, um plano de negócios claro e uma estrutura societária que facilite a entrada de investidores. Muitas empresas brasileiras ainda operam com contabilidade informal e decisões centralizadas no dono. Isso afasta o capital estrangeiro.
Além disso, é fundamental entender o perfil de cada investidor. Fundos de private equity buscam participação acionária e saída no médio prazo. Bancos de investimento oferecem dívida com prazos mais longos e taxas competitivas. Family offices preferem negócios com propósito e impacto social. Cada um tem uma lógica diferente.
O papel da assessoria especializada
Navegar nesse oceano sem um mapa é arriscado. Por isso, muitas empresas recorrem a assessorias especializadas em estruturação de capital internacional. Essas firmas conectam o empresário brasileiro a fundos e bancos no exterior, ajudam na preparação da documentação e na negociação dos termos. É um atalho para quem não tem tempo nem know-how para fazer isso sozinho.
Foi o que fez a Fortis Business Capital, que já estruturou mais de US$ 900 milhões em operações para empresas brasileiras. "Nosso trabalho é traduzir o Brasil para o investidor estrangeiro. Mostrar que existe oportunidade, mas também risco. E que o empresário está preparado para gerenciá-lo", explica Evilásio Júnior, fundador da empresa.
Desafios internos
Se por um lado o cenário externo é favorável, por outro o Brasil ainda carrega velhos problemas. A carga tributária elevada, a burocracia e a instabilidade jurídica são apontadas como entraves por investidores. A reforma tributária em discussão no Congresso pode melhorar o ambiente, mas seus efeitos só serão sentidos no médio prazo.
Além disso, a taxa de juros real ainda é uma das mais altas do mundo. Isso encarece o crédito local e torna o capital estrangeiro mais atraente. Mas também pressiona as empresas, que precisam entregar resultados robustos para compensar o custo do dinheiro.
O que esperar dos próximos anos
A tendência é que a América Latina continue ganhando espaço. Com a transição energética e a demanda por minerais críticos, países como Brasil, Chile e Peru devem atrair investimentos bilionários. O Brasil, com suas reservas de nióbio, lítio e terras raras, está no epicentro dessa corrida.
Para o empresário de middle market, a mensagem é clara: ou se prepara para competir globalmente, ou ficará para trás. O capital está disponível, mas não é para amadores.
Conclusão
O Brasil ganhou peso no mapa do capital. Agora, precisa decidir o que fará com isso. Pode usar essa janela para modernizar suas empresas, atrair investimentos de longo prazo e se integrar às cadeias globais de valor. Ou pode deixar a oportunidade passar, enquanto outros países da região avançam.
A escolha não é do governo, nem dos fundos. É de cada empresário que olha para o próprio negócio e se pergunta: estou pronto para o capital internacional? Se a resposta for não, é hora de começar a se preparar. O mundo não espera.
