O que o Termômetro do ABC Brasil revela sobre o middle market
O mais recente Termômetro Middle Market do ABC Brasil, divulgado pelo Estadão Blue Studio, traz um retrato claro do comportamento das empresas de médio porte no Brasil: diante de um cenário econômico ainda desafiador, com juros elevados e incertezas globais, a prioridade tem sido preservar caixa e recalibrar investimentos. A pesquisa, que ouve empresários e gestores financeiros, mostra que a cautela predomina e que decisões de expansão estão sendo revistas ou postergadas.
Esse movimento não é isolado. Ele reflete a postura defensiva adotada por boa parte do empresariado brasileiro nos últimos meses, que opta por fortalecer o balanço antes de retomar projetos de crescimento. Para quem busca capital, entender esse contexto é fundamental para alinhar expectativas e estruturar operações que façam sentido nesse momento.
Por que as empresas estão segurando o caixa?
A preservação de caixa é uma resposta natural a um ambiente de maior aversão a risco. Com a taxa Selic ainda em patamar elevado, o custo do dinheiro no Brasil segue caro, e as empresas preferem evitar novas dívidas ou comprometer recursos em projetos de retorno incerto. Além disso, a volatilidade cambial e as incertezas sobre o crescimento da economia global – especialmente com a desaceleração da China e as dúvidas sobre os juros nos Estados Unidos – levam os gestores a adotar uma postura mais conservadora.
Outro fator importante é a dificuldade de acesso a crédito tradicional. Bancos comerciais, diante de um cenário de inadimplência controlada mas ainda preocupante, tornam-se mais seletivos na concessão de empréstimos. Isso empurra as empresas para uma gestão mais rigorosa do capital de giro e para a busca de alternativas de financiamento que não sobrecarreguem o fluxo de caixa.
O que dizem os empresários
“Estamos em um momento em que o empresário prefere ter liquidez para atravessar possíveis turbulências do que se comprometer com investimentos de longo prazo que podem consumir recursos preciosos”, afirma um executivo do setor de serviços ouvido pela pesquisa.
Essa visão é compartilhada por grande parte dos entrevistados. A pesquisa mostra que a maioria das empresas do middle market não pretende aumentar o endividamento nos próximos meses e que a prioridade é manter o caixa positivo.
Recalibrando investimentos: menos expansão, mais eficiência
Se por um lado o caixa é preservado, por outro os investimentos não são totalmente abandonados – eles são recalibrados. Em vez de grandes projetos de expansão, como abertura de novas unidades ou aquisições, as empresas estão focadas em melhorar a eficiência operacional e em projetos de menor risco e retorno mais rápido.
Segundo o Termômetro, setores como indústria e varejo estão priorizando a modernização de processos e a digitalização, que podem trazer ganhos de produtividade sem exigir aportes vultosos. Já o setor de serviços, mais sensível ao consumo das famílias, tende a postergar investimentos em ampliação de capacidade até que haja sinais mais claros de recuperação da demanda.
Impacto na busca por capital
Para a Fortis Business Capital, esse cenário tem duas implicações diretas. A primeira é que a demanda por capital de giro e reestruturação de dívidas tende a aumentar, já que as empresas precisam equilibrar suas finanças sem comprometer a operação. A segunda é que projetos de expansão que antes eram financiados por dívida bancária tradicional agora buscam estruturas mais flexíveis, com prazos e carências adequados ao novo ritmo de investimento.
“O middle market brasileiro está mais seletivo, e isso é saudável. As empresas que conseguem estruturar operações de capital internacional com boas condições saem na frente, pois podem preservar caixa e ainda assim viabilizar projetos estratégicos”, avalia Evilásio Júnior, fundador da Fortis.
O papel do capital internacional nesse contexto
Com o crédito doméstico mais caro e seletivo, o capital internacional surge como uma alternativa para empresas que precisam de recursos para capital de giro ou para investimentos pontuais. Fundos e bancos estrangeiros, especialmente nos EUA, Emirados Árabes Unidos e União Europeia, têm apetite por operações de middle market no Brasil, desde que bem estruturadas e com garantias adequadas.
A Fortis já estruturou mais de US$ 900 milhões em operações e observa que a demanda por esse tipo de financiamento tem crescido. “O empresário brasileiro está mais aberto a considerar fontes internacionais, principalmente porque as condições podem ser mais competitivas em prazos e carências, aliviando o fluxo de caixa no curto prazo”, explica Evilásio.
Cuidados necessários
Apesar do apetite, é preciso cautela. Operações com capital internacional envolvem riscos cambiais e exigem uma estruturação cuidadosa para evitar surpresas. Por isso, contar com um parceiro especializado é fundamental para avaliar o custo total da operação, as garantias exigidas e a adequação ao perfil da empresa.
Perspectivas para os próximos meses
O Termômetro do ABC Brasil não aponta para uma reversão rápida desse quadro. A expectativa é que as empresas mantenham a postura conservadora enquanto não houver sinais mais claros de queda sustentada dos juros e de retomada do crescimento. No entanto, a pesquisa também revela que há otimismo moderado: muitos empresários acreditam que o pior já passou e que, a partir do segundo semestre, será possível retomar investimentos com mais segurança.
Para a Fortis, esse é o momento de preparar as empresas para o ciclo de crescimento que virá. “Quem se antecipar e estruturar agora uma operação de capital internacional com condições adequadas estará em posição privilegiada quando o mercado voltar a aquecer”, aconselha Evilásio Júnior.
Conclusão: cautela com visão de futuro
A pesquisa do ABC Brasil confirma que o middle market brasileiro está priorizando a segurança financeira, mas sem abandonar a visão de longo prazo. Preservar caixa e recalibrar investimentos são estratégias inteligentes em um cenário incerto, mas é fundamental não perder de vista as oportunidades. O acesso a capital internacional bem estruturado pode ser o diferencial para atravessar esse período com solidez e estar pronto para crescer quando as condições melhorarem.
Se sua empresa está nesse processo de reavaliação e busca alternativas para fortalecer o caixa ou viabilizar projetos, a Fortis Business Capital pode ajudar. Com experiência em estruturar operações sob medida para o middle market, conectamos sua empresa às melhores fontes de capital global.
